sábado, março 18, 2017

Missão Cumprida !

Aos 90 anos, um grande e carismático músico nos deixa. Com mais de 80, fez um show antológico em Porto Alegre com uma energia de um adolescente em início de carreira.
O sorriso no rosto, a energia ao tocar, contagiaram todos por todos os cantos desse planeta.

Chuck Berry se foi mas deixou seu legado. Um legado de alguém que estava aqui para cumprir uma missão e a cumpriu com maestria.

CB não veio a esse mundo para viver no meio da chinelagem, para assaltar, matar pessoas...Veio para trazer uma mensagem de paz, de harmonia, de ritmo, de rock, de coisas boas.

Que fique em paz e espero que retornes, segundo as crenças do espiritismo. E, se voltares, volte na mesma sintonia que o mundo agradecerá.

sábado, março 11, 2017

Porto Nada Alegre !

Adroaldo, cuja mulher o chamava carinhosamente de Chuchu, e Marisa, a Mimo, era, digamos, um novo casal, recém juntados e que ainda estava naquela fase que o marido ainda não passa o domingão bebendo cerveja, atirado no sofá vendo filmes de pirata e ela, já bem gorda, fazendo bolinhos de chuva apesar de não ter nuvem alguma no céu.

Ainda estavam na fase de que tudo era novidade. Faziam um miojo à noite mas apagavam as luzes e deixavam uma vela acesa na mesa para ficar mais romântico. O Sonrisal misturado com água dava o clima de um espumante cover. Era um casal feliz !

E, como todo casal feliz, a energia positiva ao seu lado e as oportunidades íam surgindo. Adroaldo era daqueles que vestia duas camisas da empresa, uma por cima da outra, de tão dedicado. Em um belo dia veio a notícia.

O dono da fábrica de artefatos bélicos, patrão do Adroaldo, lhe dá um recado curto e grosso: "Preciso de ti em Porto Alegre. Aquilo lá está virando um novo complexo do Alemão e precisamos expandir nossos negócios. Semana que vem tu fazes a mudança. Vais abrir a nossa primeira filial".

A empresa tinha sua matriz em Águas Calmas. Os negócios estavam crescendo e lá se foi o Chuchu e a Mimo para Porto Alegre.

Como o salário era bom, o casal podia morar em um lugar tranquilo e seguro. Porto Alegre estava diariamente nas manchetes dos jornais brasileiros pois tinha se tornado uma cidade nada alegre e muito violenta.

E o condomínio ideal foi encontrado em um anúncio nos classificados:

"Excelente apartamento em bairro nobre, vidros de lotérica, paredes de bunker, porta giratória que nem banco na saída dos elevadores, andares codificados, câmeras de segurança até nos banheiros, churrasqueira na sacada à prova de bala perdida, botões pânico em todas as dependências, grades nas janelas em todos os andares e, na cobertura, metralhadora anti-aérea inclusa.

No condomínio, tricheiras para as crianças, minas terrestres nos jardins, eclusa e guarita blindada, vaga para dois tanques de guerra na garagem.

Venha morar atrás das grades. Venha morar no Condomínio Paraíso !"

E eles foram ! Na primeira semana em Porto Alegre, Adroaldo foi executado na saída do trabalho pois não entregou o cartão de orelhão que tinha no bolso e Marisa morreu no enterro do marido, no cemitério Jardim da Paz, por uma bala perdida em uma troca de tiros entre gangues na Lomba do Pinheiro.

Bem-vindos a Porto Alegre !

quinta-feira, março 09, 2017

Frases fora de moda !

O título dessa postagem já começa mal. Falar em coisa fora de moda é realmente dizer que algo já não serve mais. Mas é aqui que está o cerne da discussão: por que não serve mais ? Claro que serve e sempre alguém criativo dará nova roupagem àquilo que outrora não serviria mais mas que agora serve.

Em termos gramaticais, cito algumas coisas usadas até hoje mas que não tem mais sentido. Vamos aos exemplos:

01. Caiu a ficha

Mas que ficha é essa ? Caiu onde ? Tempos atrás, quando os orelhões (aparelhos públicos para uso da telefonia fica) existiam, usava-se uma ficha, parecida com uma moeda, que nos dava tantos minutos (ou segundos) para se falar ao telefone e ela só cairia quando se completava a ligação. Como era coisa rara de completar a ligação, o termo acabou se popularizando quando uma pessoa conseguiu entender determinada situação real da vida. Os catarinenses chamavam essa ficha de orelhão de "pastilha de prosa".

02. Cachorro Viralata

Hoje não temos mais latas nas ruas e os cães, à procura de comida, não conseguem virar um contêiner. Mas entre a época das latas e do contâiner existiu, e ainda existe, os sacos de lixo e essa expressão deveria se transformar em "cachorros rasca-sacos". Esse nome também muito se usa para se referir a uma pessoa desacreditada, perdida..."O cara é um baita viralata". Sinônimo de estar sem rumo na vida.

Mais adiante escrevo outras pois sem que o tempo é curto e ficar lendo cultura inútil atrapalha a programação diária do ser humano. Mas cumpri meu horário.


quarta-feira, março 08, 2017

A vedete do futebol chamada "pay-per-view".

Precisamos dar um basta nos boletins de ocorrência nos jogos de futebol. Estádio é como teatro. É um lugar de diversão, cultural, de bom comportamento, de respeito a quem está sentado nas demais acomodações do ambiente.

Torcida de futebol não é lugar de bandidagem , de crime organizado, de arruaceiros, de drogados incomodando os demais, de bêbados que nem sabem o resultado da partida.... Torcer pelo futebol requer regras nos estádios. E isso não tem acontecido aqui no Brasil pois as facções criminosas estão encontrando um filão para requisitar seus asseclas e , assim, aumentar seu campo de atuação.

Eu era criança e frequentava o Beira-Rio. Ía e voltava à pé pro estádio, mesmo à noite. Hoje seria uma tarefa extremamente arriscada pois a bandidagem está onde a polícia não está mais.

Quando me tornei adulto, deixei de frequentar os jogos do Inter e fui salvo pelo "pay-per-view" que, como o nome prórpio diz, tenho que desembolsar uma grana extra para ter lazer quando isso , em outros tempos, era bem mais barato. A segurança no próprio lar se tornou um grande negócio: grades, câmeras, cachorros e ...pay-per-view !

O que deveria ser chamado de progresso quando eu tinha 15 anos, hoje chamamos de regresso. De quem é a culpa ? Exclusivamente é nossa !


domingo, março 05, 2017

Escrever na madrugada !

O telefone não toca
o batente ficou para trás
cheguei em casa, tranquilo
e isso me satisfaz

Posso criar, comentar
nas redes sociais ou em outro lugar
o que tenho a dizer
não me incomoda mas vai incomodar

As pessoas não estão acostumadas
a ler algo diferente, especial
e ficam cabreiras em curtir
algo que saia do seu normal

Mas para esclarecimento
isso não é um boletim de ocorrencia
é apenas uma reticência
que deixa na mente uma certa pendência
para esse advento

sexta-feira, março 03, 2017

O Fundo do Poço !

Onde fica o fundo do poço ? Quanto temos que percorrer até chegar a este lugar ? Qual a distância até chegarmos na luz do final do túnel ? São minutos, dias, anos, milênios ? De onde estamos atualmente, quanto falta para chegarmos numa chamada "zona de conforto" onde tudo se normaliza e nossas vidas seguem de uma maneira tranquila e digna.

O Brasil se encontra, nos dias atuais, mergulhado em um buraco que não se conhece sua profundidade e nem como poderemos sair do mesmo. Até temos alternativas para sair mas depende de tantas variáveis que só os minutos, as horas, os dias, os meses, os anos, os séculos ou anos-luz nos tirarão desse atoleiro que não sabemos se é raso ou extremamente profundo.

É como mexermos em um vespeiro e mudar radicalmente a situação em que nos encontramos sem nos preocuparmos com as consequências.

Somos um povo covarde, por natureza. Entramos na segunda guerra de maneira discreta, tomamos uma goleada da Alemanha durante uma copa mundial sem termos qualquer tipo de reação, votamos nos mesmos corruptos de sempre por nunca termos tido vontade de ler e estudar, preferimos assistir um BBB a ver um filme que nos traga reflexões e nos tirem uma noite de sono, preferimos ver televisão a ler um livro o qual requer mais desenvoltura cerebral, preferimos sempre fazermos as mesmas coisas a inventar uma forma diferente...

Por essas e por outras, fica difícil saber a distância da alegria, do prazer, do bem-estar !

E o grande culpado somos nós mesmos !

quinta-feira, março 02, 2017

O gurizinho de Pelotas

Um ensaio resgatado de uns anos atrás ao observar o crescimento de um garoto da geração Y cuja família decadente apostou todas as suas fichas sendo que as mesmas caíram como um dominó ao longo do tempo.
Aí está !

A grande promessa e o abismo final !

Saiu de uma cidade do interior. O garoto, sem ainda ter consciencia dos fatos, trocou seis por meia dúzia. E os pais, como todos os frustados na vida, tinham no seu sucessor a esperança do sucesso familiar. Os pais não eram exemplo para isso mas investiram no negócio como se fosse um produto da bolsa de valores.

O garoto foi crescendo mostrando um lado intelectual apurado, bem estranho ao meio familiar que convivia. E junto disso veio uma índole diferente: ser o primeiro a todo custo, o centro das atenções e, assim, conquistar amigos e, inevitavelmente, inimigos. Para esses últimos, a tática da sedução veio à tona.

Com uma aparencia diferenciada pelos olhos e um jeito meigo de ser, foi conquistando seu espaço e se tornando o amado e querido da turma.

Conquistada a etapa inicial de sua formação cultural e nascido na geração Y, ficou difícil enfrentar o mundo lá fora e decepções afloraram na vida. Contumaz nos líquidos alcoólicos, vindo direto do seu DNA familiar, confundia diversão com sexo e se entregava depois de algumas garrafas para o bel prazer dos amigos próximos que o via como uma presa sexual fácil de ser dominada.

Como resultado, aproximações não sinceras e indesejáveis começaram a fazer parte de sua turma. E a cegueira que tomou conta do rapaz, por conta da difícil socialização no meio normal dos humanos acima do virtual o qual dominava, o levou a programas relacionados com o que sentia atração nos vídeos da madrugada encerrado no seu quarto de um pequeno apartamento dividido com os pais.

As redes sociais se tornaram seu grande elo de comunicação com o mundo e pensamentos e atitudes explícitas na vida começaram a vir à tona para conhecimento geral. Nem as configurações disponíveis conseguiram esconder suas preferencias e a família completava, assim, o elo do "undergroud" que faltava.

As identidades que surgiam sobre sua pessoa nas redes sociais era uma tentativa de esconder seu verdadeiro eu, utilizando-se de pseudônimos que o confundiam com sua própria realidade e visível a todos que o conheciam. Textos, nessas redes, eram escritos com uma mistura de falta de foco, palavras pouco usuais mas presentes no conhecimento adquirido ao longo do tempo e conclusões, sob a visão dos leitores, confusas e difusas mas que não valia o comentário da questão e sim seu corpo sensual, como mesmo o intitulava, disponível depois de alguns goles de uma bebida barata.

E assim foi passando o tempo, sem nada ter sido construído e a eterna promessa da criança serelepe e inteligente, com inúmeros adjetivos positivos, se espraiou no encontro do virtual com o real à ponto de ter seu ganhapão vir de programas eróticos disponíveis em salas de batepapo.

A vida, ao melhor estilo dos escritores e intelectuais do gênero, estava marcada pela abreviatura.

E o garoto, assim como milhões de outros brasileiros sonhadores, caiu no esquecimento depois que mais ninguém o encontrou por aí. Muito menos nas redes socias.