O Complicado Sou Eu ?
Pois é. Esses dias voltei ao mercado de trabalho de pois de ter ficado mais de uma ano e meio numa grande rede de restaurantes como recepcionista. Não vou citar o nome da rede mas eles servem uma cebola diferente que é sensacional. Quem não gosta de cebola, come aquela.
Pois bem. Foi um dos melhores lugares que trabalhei Tinha um convívio muito bom com aquela diversidade de colegas que trabalhavam lá e o ambiente era sensacional, pelo menos lá na frente. A empresa tinha um plano de oportunidades amplo e desafiador, as pessoas eram promovidas já com seis meses de empresa, muitos treinamentos, uma política bem ousada de gerenciamento e por aí vai. Poderiam pagar bem mais pelo que todos trabalhavam e pelo faturamento do restaurante. Mas isso era um outro problema que não vem ao caso na minha análise.
Eu, mais de sessenta anos, fui extremamente bem acolhido, os clientes me adoravam, os colegas também gostavam de mim, tinha um ótimo conceito entre os gestores, o pessoal da geração mais nova gostava de ouvir as experiências minhas de vida, aceitavam conselhos e aprendi muito com eles também.
- Seu Otávio, não fala nada, mas vou me agachar aqui atrás do balcão pois tenho que usar meu celular.
Eu achava muito anormal isso. Essa geração não consegue passar um longo tempo sem dar aquela olhada na telinha. Nunca perguntei, também, qual a necessidade emergencial de olhar na telinha. Isso pouco importava para mim. O que importava era a boa relação com eles e elas e os diferentes que nem sabia quem eram realmente. Mas era bem divertido e produtivo. O pessoal pegava junto no trabalho.
Depois de ter sido aprovado como treinador dos recepcionistas, um lindo dia fui demitido. Sem justa causa e sem qualquer tipo de explicação. Segundo um amigo que trabalha no Ministério do Trabalho, ele me disse que meu desligamento se deve ao desafiar o dono do estabelecimento que o que eu ganhava do percentual das gorjetas não condizia com o faturamento do restaurante. Ele se negou a me dizer mas eu falei para ele que eu ía descobrir. Bingo !! Fui demitido. E, dias depois, acabei descobrindo que ele poderia pagar mais para todos nós. Mas ficou por isso mesmo. Não fui adiante na reclamação.
Pois bem. Meio ano depois, me contrataram para trabalhar num hotel como recepcionista. Não vou citar o nome da rede mas não foi uma experiência muito tri boa.
A gerência era show mas com meus colegas mais novos não consegui ter uma convivência tão animada como eu tinha no restaurante. Ali o usos de celular era liberado o dia todo. E, essa geração, se tem essa ordem, aí sim que o lugar, como eu dizia, virava uma "lan house".
Mas o problema não era essa. Apesar de terem o munda nas mãos, as informações que quisessem prontamente, eles mal sabiam o lugar que estavam inseridos. A cultura geral era um abismo perto dos outros colegas da mesma geração que tive no restaurante.
Enfim. Cheguei com todo o gás e acabaram estourando meu balão. Não durei 40 dias nesse lugar. Mas bah, que coisa ! Foi a experiência mais rápida que tive na vida.
Tudo bem. Tenho meu lado inquieto, criativo, observador, o lado contestador e crítico mas, de novo, os hóspedes me adoravam. Pesou o outro lado na hora do desligamento.
Quem me conhece bem, sabem que sou uma pessoa de um relacionamento fácil, procuro ser uma pessoa atualizada, leio muito, tenho várias atividades paralelas ao trabalho, quando estou trabalhando ou não e não me considero uma pessoa de difícil relacionamento.
É o castigo que temos chegar nessa idade avançada, em plena forma, com bastante conhecimento, com muitas virtudes, sem ligar para o pouco que as empresas pagam, mas o que dói é que esses jovens que nada conhecem, que fazem do local do trabalho uma extensão de hábitos questionáveis para a idade deles, até muito infantis, de não terem qualquer tipo de responsabilidade com que fazem e, obviamente entram em choque com pessoas mais velhos. Inclusive os gestores que sempre quase sempre tem idade para serem meus filhos.
É complicado. Mas uma coisa eu afirmo: o complicado não sou eu. Ou será que sou ?

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