quinta-feira, dezembro 16, 2010

O Drama de Alice

Alice não estava aguentando mais.
Todo dia era cueca no chão do banheiro, cinzeiros sujos diariamente, latas de cerveja espalhadas por toda sala, toalha molhada em cima da cama, roupas pra lavar e passar.

Para uma mulher, isso era o cúmulo do abuso e uma vida nada digna. A cada dia que passava a situação ía se agravando. A família havia se mudado para uma casa mais confortável e as atitudes também.

As crianças tinham uma liberdade além dos limites. No quarto do garoto, roupa pra todo lado, revistas pronográfica pelo chão, tênis na janela. Alice já tinha encontradi até restos de maconha pela mesa de estudo.

Rodolfo já tinha sido alertado por Alice mas nenhuma atitude era tomada.

Chega, então, o dia em que Alice não aguenta mais e abandona o lar.

Rodolfo fica desesperado:

- Putz ! Vou ter que contratar outra faxineira ! Que saco !

Sua esposa, Helena, também concordava !

sexta-feira, novembro 26, 2010

Carros e apelidos !

Desconheço a cultura de outros países com relação ao comportamento brasileiro que dá nome ao seu carro, assim como o faz com seu filho, seu cachorro, seu passarinho.

Um dos tios de Pelotas, o falecido tio Didi, tinha um Corcel 4 portas amarelo. O nome era Bicha Loka. Não poderia ser muito diferente pela fama da cidade. Um fusca da minha tia era Olavo.

Mas as pessoas também fazem analogias com os veículos. Aqui alguma delas que me lembro:

Saboneteira: era um Volkswagem 4 portas que tinha o formato muito parecido com aquelas saboneteiras que a gente levava pro clube quando ía tomar banho de piscina.

Corsário: era o legítico Corcel II pra otário. O carro era semelhante ao ultrapassado Corcel II só que cheio de acessórioas e bem mais caro. Se o cara colocasse o que tinha no carro depois de comprá-lo sairia bem mais barato.

Sutiã: um carrinho esportivo, o Karman-Ghia com esse apelido. pois só cabiam duas pessoas. Hoje temos vários carros desse tipo.

Calcinha e Sutiã: era uma camionete Belina pra lá de esquisita. Na metade superior tinha uma cor e na metade pra baixo tinha outra. As vezes vinha, na parte inferior, uma coisa imitando um jacarandá. O apelido também servia pra outros modelos que vinham com duas cores de fábrica.

Bolinha: modelo do Gol quando surgiu com sua lataria mais arredondada.

Chaleira: outro modelo de Gol, mais antigo que o de cima, com motor refrigerado a ar.

Quem se lembrar de mais apelidos, mande aí.

sábado, setembro 25, 2010

Carencia, timidez ou sacanagem mesmo ?

Já escrevi sobre isso mas agora darei um novo enfoque: os sites de relacionamentos. O que leva uma pessoa a entrar numa coisa dessas ? Timidez, carencia ou sacanagem mesmo. Porque pra conhecer alguém aqui, hoje em dia, a coisa mudou de rumo.

Vou começar a análise por mim. Eu estou no orkut, hi5, facebook e mais uns que não me lembro. Tem um que parace ser sério. Entram só empresários. Talvez eu feche um grande negócio por ali no dia em que o Roberto Carlos resolver sair de bermuda.

Então por que estou ali ? Por uma simples razão. Como não encontro mais meus amigos e eles também não me ligam, todo dia um está ali colocando fotos notícias e eu vou acompanhando de longe uma amizade que antes era bem próxima. No tempo em que não havia celular nem internet. De vereda, como diz o gaúcho, acabo adicionando pessoas reais ou "fakes" só pra encher a lista de conhecidos.

Na boa ! Um dia deleto todos que nunca falo e nunca vi. Devem sobrar uns 30 dos 300 !

Uma coisa que notei na Argentina, esses dias, é que os prédios que tem sacada, o argentino deixa como está, diferente do gaúcho que fecha uma sacada assim que compra o apartamento dos sonhos com sacada. Um vai dizer..." é que aqui é frio, o cara não aproveita". E lá é mais frio.

E o que isso tem a ver com o assunto ?

A diferença é que o argentino adora estar na rua. Lota cafés, bares, adora o dia e a noite e está sempre lendo ou com seu lap nos bares que, quase todos, tem wi-fi.

Ou seja, a diferença está no não ficar em casa e conhecer gente, coisa que o argentino faz, e o que fica enrustido em casa esperando que algo aconteça via webcam ou nesses sites ilusionistas.

Já disse uma vez e vou repetir. Já deve ter gente no divã dos analistas por causa disso. Daqui uns dias terão clínicas de internação pras pessoas se tratarem desse vicio.

Não foi de graça que recebi os dois beijos na argentina !

quinta-feira, setembro 16, 2010

Mi Buenos Aires Querido !

Depois de uns bons 10 anos e pela terceira vez volto à capital portenha para mais uns dias de prazer e boa estadia. Dessa vez a coisa está um pouco diferente das baladas de outrora e das saídas na madrugada. Estou na companhia de minha mãe e assim estou fazendo companhia a ela.

Tudo muito bom e legal, tirando alguns transtornos ocorridos pois a má vontade em dar informações continua a mesma nos argentinos. Uns arrogantes falidos e idolatrando a economia brasileira em conversas mais íntimas.

Depois irei detalhar mais esse passeio pois o que estou escrevendo aqui está mais pra twitter que blog. Mais isso agora. Daqui há uns 5 meses mais adiante já inventam outra porra pra tomar nosso tempo e encher o grosso livro das senhas de nossas vidas.

Nos falamos, pessoal !

terça-feira, setembro 07, 2010

Faço parte da história

Agora estou eternizado ! Uma cartada que faltava em minha vida. Se alguém pensava que iria se livrar de mim depois da minha morte se enganou. Minha imagem, meu nome agora estão num museu. Pra delírio de meus fãs, para o desespero de quem me odeia.

Recentemente doei minha carteirinha de sócio juvenil para o Museu do internacional. Eles não tinham essa carteirinha que está em ótimo estado de conservação, com meu nome completo e minha foto. Datada de 1973 quando eu era assíduo frequentador do Beira-Rio.

Ela será exposta nos próximos dias. Vai passar por um crivo da diretoria mas já me adiantaram que estará lá, para a torcida colorada me fotografar e eu fazer parte da história desse clube tão querido por mim e por milhões de pessoas.

sábado, agosto 28, 2010

Um esconderijo chamado internet

Passei minha infancia, adolescencia e parte da fase adulta sem internet. Nem sei se isso foi pior ou melhor. Hoje consigo comparar e estudar os que nasceram grudados numa tela de PC e os que viveram, que nem eu, mais na rua que em casa. Confesso que mantenho o hábito da leitura do exemplar impresso de jornais, revistas e livros, principalmente os dois primeiros.

Uma coisa é certa. Surgiram milhares de intelectuais cover. Gente que opina, que "tuíta", que faz miséria, mas sente muito medo do mundo la fora. O seu mundo está na palma de sua mão, no controle do seu mouse, um mundo virtual que acaba servindo de esconderijo. Vou a todos os lugares mas não vou a lugar algum. O que a internet não ensina é o relacionamento interpessoal, a elegancia, a boa educação. Os emails são um prato cheio para o xingamento, a humilhação. Pois basta escrever, remeter e ficar em casa, escondidinho. As vezes essas coisas são feitas até anonimamente, o que é pior.

Tenho exemplos na família dos que nasceram sem e com internet e posso dizer que tem os bem e mal sucedidos nesses dois lados. Mas uma coisa que observo é que alguns bem sucedidos pós internet abandoram quase que na sua totalidade esse mundinho das opiniões mirabolantes, dos textos incompreendidos, ou melhor, nem chegaram nessa fase. Deram a cara pra bater nesse mundo e se deram bem. Aproveitaram o que a internet tem de bom, principalmente os atalhos e rapidez das informações e tiraram proveito disso.

Eu uso muito a internet. Meu trabalho me direciona pra isso mas uso muito pra me divertir. Principalmente com o besteirol que é escrito a cada milésimo de segundo.

Pra quem está lendo esse texto, pode até pensar que faço parte desse grupo. Quem sabe ? A internet está aí. Para os que tiram proveito do melhor e para os que se escondem da realidade lá fora.

sexta-feira, agosto 27, 2010

As perdas !

Ninguém gosta de perder as coisas, os seus objetos pessoais, o ônibus na parada, a novela, o jogo decisivo, o avião e até mesmo os entes queridos, entre milhares de coisas.

Eu já perdi muitas coisas. Celular, então, foram uns quatro ou cinco. Nunca gostei de sair com as mãos ocupadas mas os primeiros celulares a gente tinha que carregar na mão ou na cintura (que era algo que eu achava ridídulo) ou numa pasta ou mochila pois tinha que estar acompanhado do carregador pois umas 2h depois, sem falar, já acabava a bateria, que também era outro trambolho.

Perdi, uma vez, minha carteira de identidade, o meu primeiro CD, da Janis Joplin, o qual tinha comprado em Buenos Aires, uma caneta Cross banhada a ouro com meu nome gravado, um livro autografado pelo Jô Soares ( O Xangô de Baker Street ), mais uns celulares, já na era do chip, e uma coisa que me deixou muito triste: a bandeira do Inter !

Comprei uns dias antes da final da Libertadores, dessa última, depois de uma árdua e difícil negociação com um vendedor numa sinaleira. Foram 15min de argumentação dos dois lados e finalmente comprei-a por 20 reais. Uma bandeira de bom tamanho que, sendo colocada numa janela, pode ser vista há umas duas quadras de distância.

Num final de semana antes do decisivo jogo, coloquei-a presa com fita crepe, na parte externa da cobertura aqui de casa. Sei que não estava firme mas aqueles dias estavam sem vento.

Quando começou a mudar o clima, antes de ontem, me lembrei de tirá-la mas não fiz. Nessa noite, depois do raio que quase atingiu minha cama, a bandeira havia me deixado, voando para lugar incerto e não sabido e que deixou uma certa tristeza nesse colorado que vos escreve.

Nossa convivência foi rápida. Nem a conheci direito mas que cumpriu a sua função de trazer uma dose de sorte ao nosso Inter e partiu para uma outra missão mas sem me dar o derradeiro adeus.

quinta-feira, julho 01, 2010

Míster Grana

Que sujeito aquele ! Passou a vida inteira associando o modo de viver e uma compensação financeira. Chegou, a certo ponto, pedir uma grana pros pais quando tinha 8 anos. O motivo seria que ele era um garoto bacana, de bom relacionamento, ía bem nos primeiros anos do colégio e isso valia alguma coisa. A negociação acabou com duas caixas de Bis.

Nos anos seguintes, qualquer oportunidade que surgisse, ele entrava com essa de consultor da vida e coisas parecidas. Até informação de trajeto de ônibus lhe rendia alguma grana.

- O senhor pode me informar que ônibus pego para ir na rodoviária ?
- Essa informação irá lhe custar 10 reais.
- Pô, tudo isso ?
- Sim ! Irei lhe informar o ônibus correto, você não correrá riscos de se perder e caso a senhora queira saber por outros meios terá que ligar pro 158 e a ligação é paga. Até chegar no atendente, seu cartão telefônico já gastou mais de 5 reais. E nesse meio tempo seu ônibus irá passar por aqui e imagina o transtorno disso tudo.
- Tens razão ! Toma aqui seus 10 reais e me diga qual é o ônibus !

E assim ele ganhava a vida. Consultor das coisas cotidianas. Todos seus amigos começaram a tomar cuidado com perguntas pois a cobrança vinha na hora antes da resposta.

Um dia ele morreu. Nunca teve uma vida de fartura mas valorisava muito as suas informações e seus conhecimentos.

No dia do seu enterro, muitos amigos chegando, e estranhar uma pessoa na porta da entrada do cemitério e uma roleta.

- Vais no enterro ? São 5 reais por cabeça com direito a lenço e uma Fanta Uva.

Deixou seguidores !

sexta-feira, junho 25, 2010

Um trambolho na sala !

Dias atrás uma reportagem televisiva mostrava que um aparelho de dectação de metais, semelhantes aos que conhecemos em aeroportos, estava parado e empacotado a meses a espera de instalação nas cadeias gaúchas.

Mais uma vez a incompetência dos políticos metidos a gestores em cargos de confiança atrapalham o andamento das coisas prejudicando toda a sociedade.

Num nível mais abaixo, existe uma impressora embalada e na caixa aqui onde trabalho (serviço público) e que ninguém toma iniciativa para que a mesma seja instalada e comece a retornar o investimento.

Os responsáveis por isso, indagados por mim, disseram que a coisa é assim mesmo, demorada, caracterizando a lesmice do serviço público tendo por protagonistas funcionários despreparados, desmotivados e incompetentes.

Por isso que, em breve, meu destino será outro. Tem muita coisa pra se fazer no serviço público mas, ao mesmo tempo, existe uma barreira quase que intransponível de pessoas que querem deixar as coisas como estão. Os dinossauros do século 21 !

segunda-feira, junho 21, 2010

Branco ou Negro ?

Porto Alegre está cheia de outdoors com a imagem de um branco e um negro e perguntas do tipo: qual deles é o gerente ou qual deles ganha mais ?

Como vejo isso quando passo de ônibus ou carro na rua, ainda não consegui ver a entidade que está promovendo tal coisa. Por sinal, ridícula !

Ganha mais ou será o gerente aquele que estiver melhor preparado. E nada mais ! Hoje temos negros com bastante destaque em todos os setores. Só para lembrar, o homem mais poderoso do planeta é um negro. E competente !

Para os que gostam de estatísticas, é claro que os brancos ganham mais que os negros porque tem muito mais brancos nas faculdades que negros. Mas os negros ganham muito mais dinheiro jogando futebol que os brancos. Tá cheio de negro perna de pau que ganha muito mais praticando esse esporte que um branco gerente geral de uma agencia bancária, muitas vezes com curso superior e MBA.

Por outro lado, temos muito mais negros nas cadeias.

Essas comparações não levam a lugar algum e esses gastos em outdoors para expressar essas besteiras é bem coisa de ... Bem, deixa pra lá !

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Farofada Chique

Sábado fui com parentes passar o dia na praia. Mas praia pra mim é chegar até ali perto da Paraguassu e dar uma olhada de longe naquela areia repleta de farofeiros. Entrar na água nem pensar.

Cheguei lá pelo meio-dia, tomei uma caipirinha num quiosque e voltei pra comer um belo churrasco de filé mignon regado a vinho espanhol. Depois dei aquela dormida até as 18h da tarde e lá pelas 21h voltamos.

Esse tipo de farofada eu até gosto. Estradas tranquilas e sempre longe da balbúrdia.

Difícil é escapar de ouvir um funk nasqueles carros com o volume nas alturas e quase sempre com placas de alguma cidade do interior.

Caminhos que se abrem !

Aos poucos vai se conhecendo o lugar. Pode demorar semanas, meses, semestres...O conhecimento chega, a ousadia aparece, o inusitado acontece...