quinta-feira, março 02, 2017

O gurizinho de Pelotas

Um ensaio resgatado de uns anos atrás ao observar o crescimento de um garoto da geração Y cuja família decadente apostou todas as suas fichas sendo que as mesmas caíram como um dominó ao longo do tempo.
Aí está !

A grande promessa e o abismo final !

Saiu de uma cidade do interior. O garoto, sem ainda ter consciencia dos fatos, trocou seis por meia dúzia. E os pais, como todos os frustados na vida, tinham no seu sucessor a esperança do sucesso familiar. Os pais não eram exemplo para isso mas investiram no negócio como se fosse um produto da bolsa de valores.

O garoto foi crescendo mostrando um lado intelectual apurado, bem estranho ao meio familiar que convivia. E junto disso veio uma índole diferente: ser o primeiro a todo custo, o centro das atenções e, assim, conquistar amigos e, inevitavelmente, inimigos. Para esses últimos, a tática da sedução veio à tona.

Com uma aparencia diferenciada pelos olhos e um jeito meigo de ser, foi conquistando seu espaço e se tornando o amado e querido da turma.

Conquistada a etapa inicial de sua formação cultural e nascido na geração Y, ficou difícil enfrentar o mundo lá fora e decepções afloraram na vida. Contumaz nos líquidos alcoólicos, vindo direto do seu DNA familiar, confundia diversão com sexo e se entregava depois de algumas garrafas para o bel prazer dos amigos próximos que o via como uma presa sexual fácil de ser dominada.

Como resultado, aproximações não sinceras e indesejáveis começaram a fazer parte de sua turma. E a cegueira que tomou conta do rapaz, por conta da difícil socialização no meio normal dos humanos acima do virtual o qual dominava, o levou a programas relacionados com o que sentia atração nos vídeos da madrugada encerrado no seu quarto de um pequeno apartamento dividido com os pais.

As redes sociais se tornaram seu grande elo de comunicação com o mundo e pensamentos e atitudes explícitas na vida começaram a vir à tona para conhecimento geral. Nem as configurações disponíveis conseguiram esconder suas preferencias e a família completava, assim, o elo do "undergroud" que faltava.

As identidades que surgiam sobre sua pessoa nas redes sociais era uma tentativa de esconder seu verdadeiro eu, utilizando-se de pseudônimos que o confundiam com sua própria realidade e visível a todos que o conheciam. Textos, nessas redes, eram escritos com uma mistura de falta de foco, palavras pouco usuais mas presentes no conhecimento adquirido ao longo do tempo e conclusões, sob a visão dos leitores, confusas e difusas mas que não valia o comentário da questão e sim seu corpo sensual, como mesmo o intitulava, disponível depois de alguns goles de uma bebida barata.

E assim foi passando o tempo, sem nada ter sido construído e a eterna promessa da criança serelepe e inteligente, com inúmeros adjetivos positivos, se espraiou no encontro do virtual com o real à ponto de ter seu ganhapão vir de programas eróticos disponíveis em salas de batepapo.

A vida, ao melhor estilo dos escritores e intelectuais do gênero, estava marcada pela abreviatura.

E o garoto, assim como milhões de outros brasileiros sonhadores, caiu no esquecimento depois que mais ninguém o encontrou por aí. Muito menos nas redes socias.

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Falar de mim mesmo !

Tenho essa mania. Essa mania tem que ter limites. Falar de mim mesmo gera um monólogo consigo. Será isso mesmo ?